A ansiedade vai matar o seu marketing digital

Para você que vive online e está lendo esse blog, marketing digital é rotina, faz parte do seu dia a dia. Muito provavelmente você trabalha com isso, seja dentro de uma agência de marketing digital, ou seja dentro de uma empresa, coordenando projetos relacionados a essa disciplina e garantindo que a internet gere resultados.

Muito por isso, você não precisa ser convencido da importância de investir nessa área. Nem mesmo dos números, do potencial e como o seu concorrente já está se aproveitando do cenário. O seu dia-a-dia já prevê essa necessidade de esforço constante, de foco e de fazer com que sites, blog, marketing de conteúdo, seo, email-marketing, redes sociais, automação e seja lá o que ver gerem resultados.

Mas existe um ponto que você pode estar ignorando que está atrapalhando o seu trabalho. Está minando os seus esforços, e dia após dia, gera desgaste em você e na sua empresa, e acaba matando o seu marketing digital.

Esse ponto é a ansiedade. Vamos falar sobre ela?

Por que marketing digital?

Por que marketing digital?

Ainda existe a discussão de porquê é necessário separar o digital do offline, do tradicional, do consolidado. Como você sabe, isso simplifica as coisas, pois a internet traz tantas formas novas de atuação, tantos números, que se tentarmos fazer tudo ao mesmo tempo, acaba ficando difícil o entendimento, e consequentemente, a execução.

Além disso, é inegável como o comportamento do seu público é diferente nos canais digitais. Aqui ele controla o fluxo de informação. Ele decide como consumir e quando consumir. Não é como nas mídias tradicionais, mas você já sabe disso.

A questão que vale destacarmos aqui é a complexidade, a novidade e o excesso de conteúdo que o marketing digital nos traz. Existem inúmeros blogs, inúmeros experts, e, claro, diversas formas de trabalhar na internet, e a cada dia aparecem novas ferramentas, canais e possibilidades – whatsapp, snapchat, chatbots, etc, etc – que se colocam à sua frente e à frente da sua empresa, se apresentando ao mesmo tempo como oportunidades, mas também como itens que você precisa saber (precisa?) ou vai ficar por fora. Não vai conseguir conversar nos eventos de marketing. Estará defasado.

E a sua empresa mantém o foco, e sabe que precisa investir nessa seara. Em marketing digital. E você segue atuando, tentando equilibrar todas essas frentes para gerar resultado, fazer frente à concorrência e, principalmente, não ficar para trás e perder oportunidades.

O excesso de informação

O excesso de informação

Publicidade, propaganda, e consequentemente marketing digital, carregam em si o ônus das ciências humanas. Ainda que discutivelmente, existe uma certa subjetividade no seu cerne, que é mais difícil de ser visualizada em ciências biológicas e exatas. Essa questão elucida o fato que não existe uma verdade absoluta em marketing digital. Não existe um órgão central, tal qual um CRM (Conselho Regional de Medicina) que rege e lista diretrizes primárias para falar o que está mais certo o que está mais errado.

Isso cria uma constante busca por informação por parte dos profissionais da área. Não, claro, que isso não aconteça em outras áreas. Mas a acessibilidade de informação no ambiente digital e a sede por conhecimento dos seus profissionais acaba gerando a proliferação de diversos canais, blogs, sites, gurus e o que valha que falam de melhores práticas, ferramentas, disciplinas, estratégias, táticas e muito mais sobre marketing digital.

Daí vem o excesso de informação. Só dentro do marketing digital, você pode listar diversas subdisciplinas: redes sociais, automação, criação de sites, otimização de conversão, SEO, etc. E todas elas se apresentam como relevantes, importantes. E todas têm conteúdo, e experts falando. Além de vídeos, textos e outros conteúdos.

E você a sua empresa ficam acuados na parede, reféns da avalanche que é esse conteúdo todo, com medo de olhar diretamente para ele e se afogar no processo.

Os dois lados da moeda: empresa e agência

Os dois lados da moeda: empresa e agência

Trazendo para o campo prático e da vida real, quando falamos de marketing digital, o cenário mais comum é termos dois atores: a empresa e a agência.

A empresa é aquela companhia cujo foco não é fazer marketing, é vender alguma coisa. E aqui não interessa o tamanho da empresa. O que interessa é que ela quer investir no digital, e vai contratar (ou já contratou) uma agência para ajudar nesse processo.

Os decisores da companhia não querem ficar de fora, mas querem cortar caminho. Por isso, preferem contratar um especialista, uma agência, alguém que viva de marketing, que entenda o cenário, e que possa dizer à empresa como fazer.

Já a agência – no caso, de marketing digital – é a companhia especialista no digital. Que vive, estuda e efetivamente vende a gestão das disciplinas online. Isso pode acontecer tanto de forma mais abrangente, onde a agência aborda muitas das frentes de atuação – redes sociais, sites, seo, automação de marketing, email-marketing, etc – ou de forma mais focada, onde o prestador irá preferir focar em uma ou poucas dessas disciplinas, a fim de simplificar a sua oferta de serviço.

Em teoria, esses dois lados enfrentam o desafio do marketing digital juntos. Não só o potencial, as oportunidades, mas também o excesso de informação, os desafios, e inevitavelmente, a ansiedade.

E aqui começam a ocorrer os problemas, porque a ansiedade é, no fim das contas, a batata quente. E quando ninguém sabe como esfriar a batata (nem a agência nem a empresa), cada lado vai ficar jogando o problema para o outro, até que o elo mais fraco se quebre, num círculo vicioso que se repete mais do que queiramos admitir no mercado de marketing digital.

Mas a verdade é que a ansiedade não se manifesta de forma igual na empresa e na agência. São cenários díspares, e, por isso, o problema funciona de forma diferente. No entanto, ele é igualmente tóxico, independente do contexto onde ocorre.

Por que a ansiedade acontece?

Por que a ansiedade acontece?

A causa da ansiedade, não só no marketing digital, mas no mundo moderno, é, como já falamos, o excesso de informação, a quantidade de conteúdo que você recebe diariamente e precisa processar. Daí vem o principal fator que nos torna vulneráveis frente ao excesso de conteúdo produzido todos os dias.

Mas não é só isso. Você deve saber que o corpo humano possui um limite de absorção de informações, e mais ainda, que somos particularmente adaptáveis para lidar com mudanças de contexto, e, especialmente, somos bons em ignorar coisas que não interessam (já ouviu falar de banner blindness?).

Isso quer dizer que só o excesso de informação não gera ansiedade. Nós não vamos tentar absorver tudo que chega até nós. Tanto porque não queremos quanto porque não conseguimos. Nós vamos priorizar o que nos interessa, o que nos incomoda. E somos bons nisso.

O real fato que gera ansiedade nas pessoas, empresas e agências é o acrônimo FOMO (Fear of Missing Out). Em outras palavras, medo de ficar pra trás.

Como já falamos, em um cenário onde o conhecimento é minimamente subjetivo, toda a informação, até provado o contrário, é relevante, é interessante, faz sentido e principalmente constitui uma oportunidade. Isso quer dizer que se você vê no Linkedin uma matéria falando de uma nova rede social, de um novo indicador, de uma nova tendência em marketing digital, você precisa ler. Você precisa saber, se inteirar, ou ficará para trás, vai saber menos, vai ficar defasado.

Ou seja, na prática, você, sua empresa ou agência não quer abrir mão de nada. Quer saber tudo. Quer abraçar o mundo. Mas por que? Está provado que foco traz resultados. A resposta é: porque (aparentemente) você pode. Você tem acesso, e está tudo aí. É só ler, só abrir o seu email. Só comprar o livro no Kindle.

Mas o que acontece na realidade? Não, você não pode. Não há tempo, não há saúde. Não é possível saber tudo nem ler tudo. Mas você quer. As matérias passam no seu facebook e twitter e não há tempo para ler. E você fica ansioso. “Estou ficando para trás.” É o que você pensa.

A ansiedade na empresa

Como falamos, esse é o lado que quer se vale do marketing digital, mas que não tem como objetivo se aprofundar. A empresa vai contratar uma agência, um especialista que vai guiar seus esforços nessa ampla seara.

Normalmente, nos dois lados que estamos considerando, estamos falando aqui do elo mais forte. É a empresa que tem o dinheiro. É ela que vai escolher a agência. Então se a agência não se provar eficiente, não gerar resultados, ela será descartada. Esse poder financeiro traz um fator que incrementa a ansiedade da empresa, e que pode tornar a relação com a agência ruim desde o começo, e inviabilizar a geração de resultados.

No momento zero – onde a empresa irá buscar uma agência – é factível considerar que o decisor da companhia é igualmente impactado pelo excesso de informação tal qual ocorre como uma agência. Ou seja, a ansiedade existe em nível similar. A empresa, assim como a agência, vai querer garantir que as oportunidades não sejam desperdiçadas. Vai querer fazer aquilo que apareceu na capa da Exame semana passada, vai querer executar aquela tática bacana que o concorrente fez há alguns meses.

E, ao tratar o cenário dessa forma, a empresa vai ignorar os pontos básicos e primários da coisa toda. Vai esquecer que o seu produto precisa ser bom, que a experiência de compra precisa ser positiva e que valor precisa ser entregue para o consumidor final. Atendendo à ansiedade, ela vai priorizar a questão tática, vai exigir que esteja no twitter, no linkedin, que faça automação, que tenha chatbots. Por que? Porque senão ela fica para trás.

Claro que, no contexto de empresa, é necessário sermos compreensivos. A empresa não é o especialista. Ela vê e ouve coisas. Ela quer se antenar, mas o foco dela não é esse. Então, sim, devemos dar uma colher de chá para a ansiedade de querer fazer o novo e não perder oportunidades.

O que precisa ser olhado com cuidado é a priorização dessa ansiedade. É ignorar o básico. É atravessar o especialista. E fazer porque quer fazer, não porque faz sentido.

A ansiedade na agência

A ansiedade na empresa

Em teoria, no melhor dos mundos, aqui a ansiedade precisa morrer. A agência é especialista. Ela entende do riscado. É compreensível a empresa chegar até o prestador com idéias mirabolantes e coisas que ela viu na Forbes. Mas o papel da agência é puxar o freio. É segurar essa ansiedade, e direcionar a empresa para o que precisa ser feito. Mas isso nem sempre acontece.

Mas como assim? Não acontece? Então a agência deixa a empresa pedir o que quiser? Em alguns casos, infelizmente sim.

Esse cenário acaba ocorrendo devido a uma combinação de fatores, que ainda irão carecer do amadurecimento do mercado para que parem de ocorrer. Mas dentre eles, podemos destacar alguns que normalmente são capitais:

A agência não tem foco e não se especializa

O universo digital é vasto e compreende uma infinidade de possibilidades, estratégias e táticas. Não vamos dizer que seja impossível uma agência abordar todas as frentes de atuação no marketing digital, mas é bem difícil.

Mas o que ocorre por vezes é que, devido à facilidade de ter acesso à informação, e como a empresa pergunta, a agência acaba oferecendo uma disciplina que nunca fez e tem pouca experiência. E isso vira um círculo vicioso. A agência abre seu leque de produtos, não se especializa em nenhum, e faz o que a empresa quer.

A agência não olha para o básico

Existem premissas de marketing que são pré-históricas. E não no sentido pejorativo. Mas no sentido que elas são antigas e não vão mudar, porque elas são a fundação de qualquer ação de marketing: entender seu público, gerar valor para ele. Se a agência não presta atenção nisso, ela pode usar a ferramenta que quiser, trabalhar com a novidade digital que seja, que não serão gerados resultados.

A agência foca nas novidades

Essa é a ansiedade gravíssima, que sintetiza os dois outros pontos destacados aqui. Não, não estamos falando que as agências não devem acompanhar novidades, que não devem discutir sobre elas, escrever, ir a eventos. Estar antenado no mercado é importante.

Mas focar nisso é arriscado. Tentar usar toda tecnologia nova (chatbots, inteligência artificial) só porque ela é nova pode sim gerar valor. Mas só se você já tiver feito o básico bem feito. E pode acreditar, a maioria das empresas ainda não fez o básico bem feito.

Pisando no freio

Não importa se você faz parte de uma empresa ou agência. Antes de começar a virar vítima da ansiedade, respire fundo. Não precisa ter pressa.

Claro, isso pode parecer um contrassenso nos dias de hoje. Estamos falando da era das startups, do desenvolvimento ágil, do foco em produtividade, dos MVPs (produto mínimo viável). E mais, existe dinheiro, existe recurso. Investidores ao redor do mundo estão colocando grana em empresas. Eles querem retorno, e querem rápido. Então talvez precisamos sucumbir à ansiedade.

Mas discordemos aqui. Não se queima etapas para chegar ao sucesso. E não precisa acreditar em mim. Acredite no Jeff Bezos. A evolução é contínua, leva tempo, demora. Mas é gratificante, traz valor, traz autoridade:

Não, não estou falando para você ficar parado no tempo. Estou falando para você focar no básico, fazer o simples. Porque, como provavelmente abordarei em outro texto, em marketing digital o simples é o avançado.

Foque no básico

Para sermos menos conceituais, vamos estabelecer alguns pontos a observar para que você não caia na armadilha da ansiedade:

Defina seu propósito

Como sua empresa e seu produto geram valor? Qual a missão? Como vocês querem mudar o mundo?

Entenda seu público

Quem é o seu público? O que ele pensa da sua empresa? Ele compactua dos seus valores? O que ele valoriza de verdade? Quais são os seus objetivos?

Seja estratégico

Essa tecnologia nova. Ela casa com seu propósito? Gera valor para o seu público? Por que? Como? Quando? Em quanto tempo?

Pode acreditar, muitas empresas não prestam atenção nisso. Elas seguem na inércia, porque sempre fizeram assim, porque o produto continua vendendo, porque elas não escutam o consumidor final.

E aqui pare e pense um pouco. Lembre-se de grandes empresas. Apple, Coca-Cola, Google. Como elas chegaram lá? Não foi só sorte. Elas geram valor. Elas têm propósito. E elas cresceram com o tempo. Enfrentaram adversidades, mas mantiveram o básico bem feito, e foram incorporando outras frentes com o tempo. A diferença entre a sua empresa e elas não é só o dinheiro. É esse foco. É o simples bem feito. O básico é mais poderoso do que você imagina.

Olhe para o longo prazo.

Olhe para o longo prazo.

Imagino que você já ouviu essa frase: “não se faz um bebê em um mês com 9 mulheres”. Obviamente, o que se quer dizer é que para fazer um bebê são necessários 9 meses. Leva tempo. E o resultado é extraordinário.

É uma comparação grosseira, mas a analogia se aplica. Resultados excepcionais levam tempo. Demandam esforço, foco e concentração. E o que pode matar isso tudo? A ansiedade. A busca por resultados rápidos, querer subir a montanha toda em um salto. Mas isso só o Superman. E por mais que isso seja triste, o Superman não existe. É necessário escalar a montanha quilômetro por quilômetro. Vai levar tempo, mas você vai chegar lá.

Seja realista. E priorize.

Se você chegou até aqui, possivelmente está pensando como trabalhar com marketing digital sem queimar etapas, focando no longo prazo, fazendo o básico bem feito. Se sim, ótimo! Esse é o objetivo desse post.

Para ajudar você com esse raciocínio, convido você a encarar a realidade. Talvez ainda não seja a hora de marketing digital. Talvez seja a hora de propósito, de produto, de público. Olhe para o futuro. Como você vai capturar autoridade? Como vai mostrar valor? Como vai se posicionar no mercado como referência? Não como uma alternativa à concorrência, mas como a melhor opção naquilo que você é bom?

Se você não sabe as respostas, não se preocupe. A maioria das pessoas não sabe, e isso é bom. O importante são as perguntas. É o espírito questionador. Porque as respostas mudam, mas a busca incessante por ter propósito não. E se você se manter nessa busca, você vai chegar no topo da montanha.

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